"As mesmas
luzes iram aparecer quando o sol se deitar mais tarde, os sonhos vão se
depositar e um ou dois vou escolher para embalar minha noite. As mesmas
estrelas vão brilhar no céu e a Lua ao longe a espiar meu sono, mas agora que o
dia começou e ainda há muita coisa a se fazer."
sexta-feira, 12 de abril de 2013
domingo, 31 de março de 2013
Girassol de saudade
Não faz muito tempo que a mãe adormece nos campos floridos, mas ao longo dessas estações passadas não houve um dia que sua lembrança não permanecesse viva em mim. Hoje em particular a saudade está um girassol. Não só porque é domingo de Páscoa e era tradição um almoço familiar, mas porque hoje seria comemorado mais uma primavera. Por isso, mesmo que fisicamente o abraço já não nos seja permitido, nesse momento os nossos corações continuam unidos, e permanecerá assim, até chegar a hora do nosso reencontro. Parabéns minha mãe querida, minha pombinha protetora que de longe olha por mim.
quarta-feira, 20 de março de 2013
Nós
Pode até chegar a haver alguns desencontros, mas nunca um
tarde demais.
Haverá alguns tropeços até troca de percurso, mas a vida é
um ciclo, um grande círculo, vai e volta, nosso início é o nosso final.
Então antes de qualquer coisa sempre haverá um NÓS.
Nós Dois sendo mais especifica.
Haverá entrelaçar de mãos, acolhimento de alma, aproximação
de coração.
Haverá pensamentos longos, sonhos diurnos, ideias
passageiras.
Haverá tudo que cabe em Nós, e por tão grande é esse nosso
amor que cabe até mesmo muito além...
sexta-feira, 15 de março de 2013
A casa da rua de pedra
Naquela casa cabia muito bem nós dois.
Cabia nossos planos, cabia nossos sonhos, cabia nossos desejos e vontades mais estranhas.
Cabia até algumas brigas e reclamações antes delas escaparem pela janela.
Cabia uma manhã inteirinha agarrados aproveitando um dia nublado.
Cabia Clarice e Carpinejar.
Cabia uma rede na varanda, 3 cachorros, o Jame e até um jardim.
Cabia máquina de costura, piano e projetos de engenharia.
Cabia tardes tranquilas de domingo quente e cabia café da manhã na cama.
Cabia muito bem muitos fins de tarde.
Cabia vários filmes e todas as músics, de Tulipa a Gadú.
Cabia até uma parede branca com um único tijolo pintado de azul.
Cabia tão bem tantas coisas
tantas coisas cabiam tão bem ali.
Agora já não cabe mais nada além de outras vidas que não são as nossas.
Cabia nossos planos, cabia nossos sonhos, cabia nossos desejos e vontades mais estranhas.
Cabia até algumas brigas e reclamações antes delas escaparem pela janela.
Cabia uma manhã inteirinha agarrados aproveitando um dia nublado.
Cabia Clarice e Carpinejar.
Cabia uma rede na varanda, 3 cachorros, o Jame e até um jardim.
Cabia máquina de costura, piano e projetos de engenharia.
Cabia tardes tranquilas de domingo quente e cabia café da manhã na cama.
Cabia muito bem muitos fins de tarde.
Cabia vários filmes e todas as músics, de Tulipa a Gadú.
Cabia até uma parede branca com um único tijolo pintado de azul.
Cabia tão bem tantas coisas
tantas coisas cabiam tão bem ali.
Agora já não cabe mais nada além de outras vidas que não são as nossas.
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
Minha amiga Morena
Morena, tá
tudo bem os dias vão e vem, todo dia tem um amanhã
Morena pode
até sonhar, mas se não tenta não vai a nenhum lugar, parece até que criou raiz por
aqui.
Morena não
fica assim, o que é bom para você também é bom para mim, deixa o vento te
levar, o sol te guiar, quem sabe assim, você chega aonde quer chegar.
Morena não se
contente com pouco, não se alimente de migalhas, não se vista com farrapos e
não ande com pés descalços, coloque sim o melhor vestido e o melhor sapato e
saia por ai.
Morena levante
a cabeça e abra um sorriso, desilusões são preparos para o paraíso, mas tarde
te encontro lá.
Morena pare de
tanto chorar, as lágrimas mancham seu rosto e tiram o brilho do seu olhar.
Sei que é difícil,
mas Morena, se precisar eu estou aqui, sempre estarei e você pode vir me
procurar. Porque quando a cruz pesa é bom chamar os amigos para ajudar a
carregar.
Morena agora
tenho que ir,mas fique bem logo tudo passará.
A chama de dor ainda permanece viva...
Muitos
pais, amigos, parentes, vizinhos, todos em geral, ainda tentam apagar com
lágrimas o fogo de domingo que queimou tantas vidas e em que tantos futuros viraram
cinzas... Já se passaram alguns dias depois do acontecimento trágico na Boate
Kiss, contudo a chama parece que continua viva, a queimar no coração de todos
os brasileiros, sejam os que perderam alguém ali ou os que tiveram suas vidas
salvas, sejam os que ainda lutam para sobreviver nos hospitais e aqueles que se
comoveram com essa dor mesmo sem ter nenhum conhecido. Carpinejar em um texto
emocionante escrito no próprio domingo expressa exatamente essa dor.
“Morri em Santa Maria hoje. Quem não morreu? Morri
na Rua dos Andradas, 1925. Numa ladeira encrespada de fumaça.
A fumaça nunca foi tão negra no Rio Grande do Sul.
Nunca uma nuvem foi tão nefasta.
Nem as tempestades mais mórbidas e elétricas desejam
sua companhia. Seguirá sozinha, avulsa, página arrancada de um mapa.
A fumaça corrompeu o céu para sempre. O azul é
cinza, anoitecemos em 27 de janeiro de 2013.
As chamas se acalmaram às 5h30, mas a morte nunca
mais será controlada.
Morri porque tenho uma filha adolescente que demora
a voltar para casa.
Morri porque já entrei em uma boate pensando como
sairia dali em caso de incêndio.
Morri porque prefiro ficar perto do palco para
ouvir melhor a banda.
Morri porque já confundi a porta de banheiro com a
de emergência.
Morri porque jamais o fogo pede desculpas quando passa.
Morri porque jamais o fogo pede desculpas quando passa.
Morri porque já fui de algum jeito todos que
morreram.
Morri sufocado de excesso de morte; como acordar de
novo?
O prédio não aterrissou da manhã, como um avião
desgovernado na pista.
A saída era uma só e o medo vinha de todos os
lados.
Os adolescentes não vão acordar na hora do almoço. Não vão se lembrar de nada. Ou entender como se distanciaram de repente do futuro.
Mais de duzentos e quarenta jovens sem o último beijo da mãe, do pai, dos irmãos.
Os telefones ainda tocam no peito das vítimas estendidas no Ginásio Municipal.
Os adolescentes não vão acordar na hora do almoço. Não vão se lembrar de nada. Ou entender como se distanciaram de repente do futuro.
Mais de duzentos e quarenta jovens sem o último beijo da mãe, do pai, dos irmãos.
Os telefones ainda tocam no peito das vítimas estendidas no Ginásio Municipal.
As famílias ainda procuram suas crianças. As
crianças universitárias estão eternamente no silencioso.
Ninguém tem coragem de atender e avisar o que
aconteceu.
As palavras perderam o sentido.”
As palavras perderam o sentido.”
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