sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Poetas: escultores da alma

"Todo poeta traz um lado escultor
que modela as emoções dando novas formas ou reinventando,
fazendo de algo antes bruto, simples ou comum, uma linda obra-prima.

Sim, um poeta é um verdadeiro escultor!
Capaz de transformar uma sensação  em algo sublime e eternizá-lo,
mesmo que a sensação tenha durado menos que a metade de um segundo,
como aquele arrepio na espinha
que se sente depois de ouvir algo tão bom
que deixa vazia de sílabas a garganta.

Sim, sim, um escultor.
Que entalha suas palavras em outras almas
e assim começa a fazer parte de outras vidas.
Que impões um significado àquilo que à primeira vista não tem nenhuma explicação.

Na verdade a tarefa de um poeta, assim como a de um escultor
é revelar o mundo ao próprio mundo através de outros olhos."

Saudade Matinal

     Um pouco antes do sol despertar, quando os primeiros raios preguiçosos começam a iluminar o céu, os sonhos dão lugar as lembranças e a saudade começa a invadir meu ser.
     O tempo não está muito frio mas um abraço seria ideal antes de uma xícara de café quentinho, bom também seria um afago no cabelo, aquele cafuné que mesmo se feito quando o sol está alto no céu chama suavemente o sono. Ah como eu queria um cafuné! E depois ouvir aquela gargalhada gostosa que fica repercutindo na cabeça como disco em vitrola.
     O dia hoje está bonito e eu aqui ainda enrolada nos lençóis, perdida em lembranças. A paisagem meio que convida para um passeio. Queria ter coragem de saltar da cama, colocar uma roupa fresca, pegar chapéu, óculos, sair pedalando por ai na minha velha bicicleta azul.
     Vontade até de tomar café na padaria da esquina e em seguida, sentar um pouco na praça lendo Clarice. Sim, hoje vou aproveitar para desfrutar da minha própria companhia e quando o menino voltar vou me sentar na varanda e contar como foram os meus dias e depois sorrir de ouvi-lo dizer: "Não sei como consegue falar tanto e ainda é sem respirar entre as palavras!"
     Ah como estou com saudade, entretanto vou me concentrar apenas em mim. Farei isso pelo menos por hoje, pelo menos por agora, amanhã penso em outra maneira de driblar essa saudade matinal. 

Bem vindos novamente!!

Passada a temporada de festas de final de ano, é hora de reassumir meu posto e voltar ao trabalho. Então,

         Bem vindos ao Cenário do Meu Mundo 2013!

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Ando tentando

Tô tentando mudar,
tentando aceitar,
tentando admitir,
tentando reinventar,
tentando crer em outras coisas,
tentando achar outros caminhos,
tentando acertar o passo, t
entando retomar velhos hábitos,
tentando me desfazer da velharia acumulada.
 
Tô tentando encontrar algo verdadeiramente novo,
tentando advinhar as respostas, 
tentando fazer previsões.
Tô tentando deixar as opiniões de lado,
tentando deixar os problemas de cantos,
tentando ignorar os deslizes,
tentando até conceder 1h a mais de conversa
mesmo o papo estando chato e eu sem paciência.
 
Tô tentando não fazer muito retoque,
tentando ouvir outras canções,
tentando aprender a gostar do que desgosto,
tentando mirar na Lua.
Tô tentando repensar a minha imagem,
tentando perder menos tempo com tolice,
tentando reencontrar os amigos,
tentando juntar os cacos espalhados ao longo do caminho, 
tentando investir nos meus sonhos.
 
Tô tentando olhar mais o por do sol e não os edificios,
tentando escutar os pássaros e não as buzinhas,
tentando encontrar um lugar calmo em meio a esse turbilhão.
 
Ando tentando.
Tentando principalmente continuar a tentar.
Tentando acreditar que amanhã pode ser um dia de surpresa.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Entre lágrimas e sorrisos

Essa data sempre me deixa meio lá e meio cá. Como pode meu coração resplandecer de felicidade e se afogar em tristeza ao mesmo tempo? A saudade é infinita e o amor imenso, ainda mais quando são dois amores, diferentes amores, como pode tudo caber em um só coração? Talvez por isso machuque tanto.
Hoje vou sorrir ou chorar? Acho que vou fazer as duas coisas. Como dói a partida, como dói à separação ao passo de como é doce o encontro, como é forte o laço. Inexplicável essa dor que é tamanha, que às vezes fica quieta e outras vezes arranha o meu ser, uma dor que sufoca, porque não há nada pior do que a saudade de alguém que já não se pode mais ter por perto. E quando lembro os dias que se passaram vagos, penso que eu deveria ter passado mais tempo junto, deveria ter ficado mais presente, deveria ter feito tantas coisas, mas agora de verdade não posso mais.
Fecho os olhos e tudo o que mais quero é compartilhar um novo momento, ouvir a voz outra vez, mas não posso. Não posso visitar, ligar só para saber como foi o dia, almoçar dia de domingo. Tudo isso tem que ficar na lembrança porque não tem mais como acontecer. Eu queria mais uma vez poder ver o rosto, abraçar bem forte e dizer: Eu Te amo Mãe Marizete! Eu Te amo pra sempre!
E por baixo desse lençol de tristeza, aparece minha felicidade sorrindo. Aqueles olhos que me entendem e me compreendem tão bem. Olhos que me encaram e transmitem paz de um jeito único.
Queria verdadeiramente apenas sorrir hoje, mas muitas vezes não consigo. Vou depois me esconder em um abraço e ouvir o coração dizendo o quanto me quer bem, e nesse instante sim, a dor se desvencilha de mim. Porque não há dor que permaneça depois de um abraço, depois desse abraço.

Bom mesmo seria seguir


E
 quando a gente para um tempo para respirar percebe que o que menos se quer é o ar. Quer perfume, um cheiro em particular, às vezes quer mesmo até fumaça, mas ar? Não não, ar é muito para se desejar. E a cabeça vai ficando pesada, tudo ao redor rodopiando sem parar, e você tenta se concentrar em algo, tenta apanhar um único pensamento, mas não demora e ele escapole da mão. A mente fica vazia. Ou melhor, você queria que sua mente fosse uma folha em branco, queria que seu coração parasse de tanto querer, mas não importa o que se quer, a cabeça está cheia, totalmente preenchida e o coração? Esse já não se sabe se está cheio ou vazio. E fica vago, passa o tempo e você ainda ali, esperando alguma resposta de uma pergunta que na verdade você nem mesmo sabe qual é, ou se sabe, não tem coragem de pronunciar em voz alta, talvez assim não se torne real.
Ah como queria uma cabeça oca, um deserto, sei lá. Um chão seco incapaz de brotar qualquer tipo de ideia. Mesmo exausta ainda se quer lutar. Mas por quê? Persistir seria tão mais doloroso, mas desistir parece tão igualmente ruim. Por que não seguir? Seria bom, andar sem olhar para os lados, um passo de cada vez, dando tempo pro coração se acalmar e a cabeça descansar. Sim, seria muito bom parar. Mas bom mesmo seria seguir. Mas como pode seguir com tanta bagagem? Abre a mala e tira tudo de dentro dali, não se precisa de mais nada. Escolha só uma ou das lembranças para os dias de solidão, o resto, deixe misturar com a areia, deixa o vento levar para longe. Talvez assim fique mais fácil voltar a andar.